Se fossem feitas, a partir de hoje, obras de recuperação e asfaltamento em todo o trecho da BR 364, desde a Vilhena, na fronteira com o Mato Grosso, até Porto Velho, dependendo do material utilizado, das obras de preparação e estrutura da rodovia e outros detalhes, com asfalto de qualidade, o custo seria, pagando-se bem caro, de mais ou menos 1 milhão de reais o quilômetro asfaltado. Informações colhidas junto a profissionais do setor, incluindo engenheiros experientes, dão conta que com esse dinheiro, se poderia fazer um asfaltamento de boa qualidade, do quilômetro zero em Vilhena até os pouco mais de 700, na Capital rondoniense. Todo o trabalho custaria, na matemática simples, algo em torno de 700 milhões de reais. Fechou a conta? Matemática simples. Setecentos quilômetros vezes 1 milhão de reais, embora pudesse até ser bem menos. Todo este introito é para demonstrar o quanto todo esse dinheiro poderia fazer por Rondônia; por seus cidadãos que todos os dias perdem alguém conhecido e até alguém da família, pelo extremo perigo de uma rodovia em péssimas condições, em vários trechos e que, não é por acaso, chamada de Rodovia da Morte. Pois 700 milhões de reais é o que denunciam investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, foram desviados das obras de rodovias federais em Rondônia e Acre. Um dos principais envolvidos no esquema, segundo a PF, é o atual prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre Viana, que era diretor do DER no nosso vizinho Acre, quando os desvios ocorreram. Pelo menos três servidores do Dnit de Rondônia já foram afastados de seus cargos, por suspeita de envolvimento. Cerca de outras 50 pessoas estariam no esquema de desvios, mais um entre dezenas descobertos em operações policiais que parecem não ter fim.
A corrupção que assola o Brasil parece não ter fim. Mesmo com todas as grandes operações que estão sendo feitas há longo tempo; com toda a exposição dos envolvidos na mídia; com prisões e várias condenações, não há o que ao menos diminua com a volúpia de gente poderosa por dinheiro. Os desvios são nas estradas, mas o são também na saúde pública, na segurança, na educação, na merenda escolar, no dinheiro que deveria ser destinado aos cuidados com crianças especiais. Não há limites para esses bandidos, escondidos sob caras de bons moços e discursos de gente boa. No caso dos 700 milhões, caso eles fossem todos para a BR 364 (obviamente que não o foram e o comentário é apenas para um comparativo sobre o que se poderia fazer com tanta grana), nossa rodovia deixaria de ser uma espécie de cemitério para tanta gente. A corrupção, todos sabem, mata muitos brasileiros. E, pelo jeito, vai continuar matando...
DOIS BI E 500 MILHÕES NA BR
Outros órgãos de fiscalização, como a Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas da União fazem parte do pacote de instituições que investigam os desvios dos recursos destinados à BR 364 nos últimos dez anos. O que mais surpreende é que, mesmo depois de liberados mais de 2 bilhões e 500 milhões de reais nesse período, o que se vê é uma BR esburacada em vários trechos; ainda cheios de curvas perigosas. Dessa fortuna toda, cerca de 28 por cento (700 milhões de reais), teriam sido desviados para os bolsos de dezenas de pessoas, ligadas ao Dnit regional e ao DER do Acre. Sé para se ter ideia da grandeza da roubalheira, apenas dois dos suspeitos (por enquanto são apenas isso, suspeitos!), movimentaram mais de 10 milhões de reais em suas contas, valores totalmente incompatíveis com os salários que recebiam como servidores públicos. A Receita Federal também entrou na jogada, à busca de bens que os envolvidos teriam comprado em nome de laranjas. Os três funcionários do Dnit, já afastados, atestavam serviços que não tinham sido feitos ou tinham péssima qualidade. Os investigadores dizem que, até agora, só pegaram a ponta do iceberg. Vem muito mais por aí...
Autor / Fonte: Sérgio Pires




