O tratamento gratuito dura seis meses e está disponível nas unidades de saúde do SUS.
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| Rondônia ultrapassa percentual de abandono de tratamento da doença |
Ano passado, só em Porto Velho, haviam 48 pessoas – de um total de 63 no estado – que reingressaram no tratamento dessa doença causada pelo bacilo de Koch, depois de abandoná-lo por conta própria.
“Isso é preocupante”, lamentou a coordenadora do controle de tuberculose na Agência Estadual de Vigilância Saúde (Agevisa), enfermeira Nilda de Oliveira Barros, nesta quinta-feira (16). “Em 2012, Rio Branco (AC) obteve o melhor índice de cura no País, enquanto Porto Velho fez o contrário”, ela disse.
Quarta causa de mortes entre as doenças transmissíveis e a primeira em pacientes com Aids, a TB (assim é conhecida a doença na linguagem médica) tem cerca de 70 mil casos por ano no Brasil. Dados estatísticos que serão fechados em setembro deste ano revelam: Rondônia é o terceiro estado brasileiro em casos de TB entre os povos indígenas, situando-se atrás dos estados de Tocantins e São Paulo (1º). Cacoal e Guajará-Mirim têm o maior número de casos.
Em 2013, a TB levou à morte 14 pessoas em Rondônia e, em 2014, mais oito: Alta Floresta do Oeste (1), Cacoal (2), Cerejeiras (1), Porto Velho (3) e Vilhena (1). No entanto, alguns municípios obtêm índices positivos, entre os quais Cacoal e Ji-Paraná, cidades onde as equipes de saúde dão importância ao agravo, priorizando o TDO (Tratamento Diretamente Observado).
Na investigação de 594 casos novos em 2014, Ariquemes teve 37, Cacoal 28, Vilhena 16, Ji-Paraná e Rolim de Moura 13 cada, e Porto Velho, 321. São 39 as pessoas que tiveram a doença, trataram, mas voltaram a contraí-la, sendo 29 da capital. O item denomina-se recidiva (recaída).
O tratamento gratuito dura seis meses e está disponível nas unidades de saúde do SUS. “Quando a pessoa começa a se tratar, sai da fragilidade e melhora, pensa que está curada e abandona o tratamento e, com o passar do tempo, volta a sentir todos os sintomas e ainda corre o risco de se tornar resistente à medicação, “, alertou Nilda Barros.
PALIATIVOS NÃO RESOLVEM
Especializada em pneumologia sanitária e gestão de programas com ênfase em TB, a coordenadora constatou que muitos doentes, ao pensarem que estão com uma gripe comum , usam xaropes e procuram o pronto atendimento do SUS ou uma clínica particular, onde fazem nebulização que alivia os sintomas, e não saem dos paliativos. “A Agevisa alerta a todos os profissionais de saúde que a tuberculose nunca deixou de existir”.
Os sinais e sintomas da TB são tosse com escarro por três semanas ou mais – às vezes com sangue -, perde o apetite, emagrece, se cansa facilmente, tem dor no peito e nas costas e febre baixa, geralmente à tarde.
A TB ataca principalmente os pulmões, rins, olhos e ossos. O risco de adoecer é geral, porém é maior entre as pessoas que convivem com doentes de TB pulmonar, sem tratamento, em lugares fechados, e aquelas em condições precárias de saúde, alimentação, habitação, alcoólicos, portadores de AIDS ou de diabetes.
Segundo Nilda Barros, a situação melhora se as equipes de saúde seguirem rigidamente as recomendações do Ministério da Saúde para o tratamento diretamente observado (TDO).
OFICINA EM ARIQUEMES
A maior causa de óbito é o diagnóstico tardio. Assim, o município de Ariquemes em parceria com a Agevisa e Ministério da Saúde promoverá nos próximos dias 23 e 24 em Ariquemes uma oficina cujo tema é TB em populações mais vulneráveis. Semelhante evento ocorreu em novembro do ano passado, em Porto Velho.
A TB é transmitida pelo ar, de pessoa doente sem tratamento para outra sadia. Ela ocorre por tosse, espirro e pela fala. Não se pega a doença quando se usa os mesmos pratos, talheres, roupas de cama, toalhas e vaso sanitário que o doente usa. Se a pessoa descobre o sintoma e o profissional de saúde também, tudo fica mais fácil. E se tiver hábitos saudáveis, eles funcionam como preventivo para que ela não adoeça.
Fonte: Decom/RO




