Contran deu um ano para os caminhoneiros fazerem o curso. Curso dura cinco dias e caminhoneiros ficam na aula da 8h até às 18h.
![]() |
| Foto: Pamela Souza |
Desde julho, uma norma obriga o
caminhoneiro a ter uma habilitação especial para o transporte de cargas
indivisíveis, mas a maioria não tem e a procura pelo curso ainda é
baixa. Este tipo de cargas são, por exemplo, turbinas enormes,
transformadores, máquinas, equipamentos, pilares de concreto.
O caminhoneiro Edson Figueira ficou três
dias parado no posto da Polícia Rodoviária Federal em São José do Rio
Preto (SP). Ele transporta placas de concreto, é a chamada carga
indivisível. Para isso, precisaria ter uma habilitação especial e o
certificado de um curso, mas ele nem sabe do que se trata. “Não sabia,
nem eu nem muitos. Pode perguntar para qualquer motorista e ninguém sabe
o que é isso”, afirma.
O Contran deu um ano para os
caminhoneiros fazerem o curso e se adequarem e desde julho a polícia
está multando. “O veículo será retido e o motorista autuado por falta
de documentação necessária. O veículo só é liberado por alguém com o
referido curso”, afirma o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Flávio
Catarucci.
O curso dura cinco dias e os
caminhoneiros ficam em sala de aula da 8h até às 18h. Para quem trabalha
por conta, esse tempo de formação fora da estrada interfere no ganho
mensal. Esse seria um dos motivos para a baixa procura. “A gente
trabalha como autônomo e então o caminhão fica parado”, diz o
caminhoneiro Eder Eleandro.
Muitos caminhoneiros parados pela
polícia acabaram recorrendo ao Sest/Senat. Os próprios instrutores
tiveram que socorrer os infratores, isso porque só quem tem o
certificado do curso pode resgatar o caminhão apreendido. “Os
caminhoneiros eram parados pela fiscalização e vinham fazer o curso. Só
que isso não é do dia para a notie, por isso tivemos de socorrer os
caminhões apreendidos”, afirma o instrutor André Lourenço.
Depois de se formar no curso, o
caminhoneiro tira uma segunda via da carteira de habilitação que vai
constar a autorização para o transporte da carga indivisível. Uma
fábrica de vigas e placas de concreto faz entregas em Minas Gerais, Mato
Grosso, Paraná e Goiás. O transporte é terceirizado, e a primeira
exigência é que a o caminhoneiro tenha o curso. Segundo ele, não dá
para falhar nas entregas. “São peças teoricamente importantes, grandes
no sistema de montagem e não podem ficar no meio do caminho”, afirma o
diretor administrativo Marcelo Barros de Paula. São cinco dias de curso,
e as inscrições podem ser feitas no Sest/Senat. Quem se interessar deve
ligar lá para saber qual documentação levar. O telefone é (17)
3354-5100.
Fonte: G1




